sexta-feira, 27 de maio de 2011

Um pão para o cachorro

Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá

Um homem, famoso por sua santidade, caminhava pelas ruas de uma vila e viu um pobre, quase nu, tiritando de frio. Sem pensar duas vezes, tirou sua capa, cortou-a no meio e deu a metade ao pobre. Naturalmente ficou muito satisfeito com o seu próprio gesto de generosidade. No entanto, voltando para casa, reparou que, na beira de um córrego, estava sentado um homem com um pão na mão e, aos pés dele, estava um cachorro agachado. O homem partia o pão e dava um bocado por vez ao cachorro para que o comesse. Em instantes o pão inteiro acabou na barriga do cão faminto.
 – Você aí – perguntou o santo homem ao desconhecido – quantos pães ganha por dia?
- Só ganhei este que estava em minhas mãos e que acabei de dar de comida a este cachorro.
- Mas por que você o deu ao cachorro em lugar de prover às suas necessidades?
– Porque este cachorro está com as patas sangrando. Deve vir de muito longe e, provavelmente, não comeu faz alguns dias. Eu deveria ficar com o pão só para mim? – respondeu o homem sentado junto ao cachorro.
 O santo homem retomou o seu caminho, mas muito menos satisfeito consigo mesmo.
Um pequeno exemplo para nos lembrar que até na caridade cada um tem as suas idéias e as suas medidas. Muitas vezes o que é generosidade para uns, é considerado desperdício para outros. O que é partilha para alguns, é avareza para outros. Quem doa com mãos abertas tem sempre mil razões para fazê-lo; e quem doa menos ou guarda as coisas, tem outras mil razões para economizar. Não adianta discutir sobre isto.
Melhor é aprender a admirar quem sabe doar mais e educar à fraternidade quem tem dificuldade de repartir. O importante, me parece, é ficar sempre, ao menos um pouco, insatisfeitos, para não nos orgulharmos demais, nem nos arrependermos da caridade que fazemos. Um amor fraterno sempre maior deveria ser a nossa meta. Com menos palavras e mais ações.
“Se me amais guardareis os meus mandamentos” nos diz Jesus no evangelho deste domingo. Não podia falar diferente. Os mandamentos dele são, de fato, o grande mandamento do amor. Para amar a Deus, que não vemos, devemos amar o próximo que está à nossa frente. Do outro lado, a razão motivadora do nosso amor ao próximo, além de uma humana solidariedade, é a decisão de corresponder ao amor sem medida do próprio Deus. De certa forma, é o amor que motiva e gera outro amor, na alegria de fazer o bem e na busca da liberdade sempre maior para fazê-lo sem mais medidas.
O que chama a nossa atenção, porém, é sempre a própria pessoa de Jesus. “Se me amais...” ele diz. Obedecemos e, portanto, praticamos o mandamento do amor que ele nos deixou, por amor a ele. O mandamento do amor a Deus e ao próximo não é uma simples lei que pode ser obedecida, ou não, que pode ser desvirtuada, corrigida, acomodada aos nossos interesses. Não podemos dizer: essa pessoa eu vou amar, essa outra não, essa outra posso até odiar. Sempre estará em jogo o amor a Jesus. É a ele que amamos ou deixamos de amar nas pessoas as quais amamos ou, infelizmente, deixamos de amar.
Se entendermos isso, o mandamento do amor, mais do que uma lei, será a nossa maneira de viver, de organizar a nossa vida e os nossos sentimentos; e se tornará uma inquietação saudável, benéfica que nos fará desejar e buscar amar mais e a todos. O egoísmo e o individualismo nos fazem enxergar apenas os nossos interesses e, raramente, as dificuldades e os sofrimentos dos outros. Fecham o nosso coração mesmo que esteja em uma gaiola de ouro, cheia de bem-estar e autossatisfação.
O amor verdadeiro, não. Incomoda-nos, nunca nos deixa satisfeitos, porque nos faz perceber quantas necessidades a humanidade tem; e em quantos rostos sofredores podemos reconhecer Jesus a quem queremos seguir, amar e servir. Discursos e promessas não são amor e nem respondem às necessidades. Um gesto simples e fraterno de amizade e partilha serve muito mais. Uma renuncia para fazer o outro feliz, também. Para aprender tudo isso, até dar comida para cachorro serve. É só o começo.

Diocese de Macapá institui o Setor Juventude da CNBB no Estado

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – criou o Setor Juventude nas dioceses de todo País em 2007, onde os bispos se preocuparam em poder atingir todas as expressões de realidades de juventude existentes na igreja, respeitando o protagonismo juvenil, a espiritualidade e a organização priorizando os objetivos comuns à luz do documento 85 “Evangelização da Juventude”, das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e Documento de Aparecida.
No Amapá, o bispo Dom Pedro José Conti, institui na diocese esse novo espaço que articula, convoca e propõe orientações para a evangelização, com o objetivo de integrar essa comunhão entre os jovens a fim trazer planos comuns e traçar projetos juntos, sem ninguém perder sua maneira de ser.
O lançamento do Setor Juventude no Amapá aconteceu no Centro Diocesano de Pastorais nesta quinta-feira 26, às 19 horas, e teve a participação especial do Assessor Nacional da Juventude da CNBB, padre Carlos Sávio da Costa Ribeiro, juntamente com os jovens da Pastoral da Juventude, Shalon, Renovação Carismática Católica, Juventude Missionária, movimento Comunhão e Libertação, Cursílio e Cristandade entre outros movimentos de jovens da Igreja Católica.
De acordo com o assessor da CNBB, Pe Sávio, os jovens  unidos podem vencer as adversidades  que dificulta o avanço e a qualidade de vida do jovem na sociedade, Pois, segundo ele , “a falta de um  projeto de vida, leva o jovem  a perder a esperança por vários motivos  como o desemprego, que é umas das principais razões  que induz o jovens à depressão, suicídio, criminalidade,  que na maioria das vezes  os jovens se encontram  nas ruas  enveredando pelas drogas e prostituição”, afirmou o assessor.
O Padre também lembra a importância de projetos em prol do jovem, até mesmo na evangelização da comunicação nas redes sociais.  “Trazemos essa proposta de unidade em diferentes aspectos, por existir em nossas vidas algo maior que nos une, que é Jesus Cristo” ressaltou o responsável pela evangelização da juventude no Brasil.

Por Mônica Nascos

domingo, 22 de maio de 2011

Martinho cabeça-dura

Martinho cabeça-dura

                       Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá

Na saída do vilarejo, tinha três estradas: uma conduzia ao mar, a segunda ia rumo à cidade e a terceira não levava para canto algum. O menino Martinho já tinha perguntado a muitos adultos onde aquela estrada acabava. - Em lugar nenhum - respondia o pessoal - e você tem uma cabeça bem dura para ainda não estar convencido disso! Assim Martinho foi apelidado de “cabeça-dura”. Mas ele não desistia e ficava sempre matutando. Perguntava a si mesmo e aos outros: Como é possível? Quem fez a estrada devia saber onde queria chegar! E insistia: quem já foi lá para ver?
Quando Martinho cresceu e pode se afastar mais de casa, tomou coragem e entrou decidido naquela estrada. “Agora eu vou saber!” repetia consigo mesmo. A estrada levava à mata bem fechada, e ainda dava para continuar. Estava escuro de baixo daquelas árvores, mas Martinho não desistiu. Estava cansado e com vontade de voltar, quando, de repente, apareceu um cachorro. “Se tem cachorro tem gente”, pensou alegre Martinho. Reanimado não mediu esforços e seguiu o cachorro que caminhava à sua frente. Finalmente viu um portão e atrás dele um jardim maravilhoso com um castelo lindo demais. Uma senhora muito bonita o acolheu com um sorriso e lhe disse: - Então, você acreditou! – Conversando, ela foi lhe mostrando a beleza do local e todas as riquezas nele guardadas. – Pode levar o que quiser – disse a bela senhora – Vou lhe dar uma carroça para carregar o que escolher -. Martinho não pensou duas vezes, encheu a carroça com muitas riquezas. Os cavalos já conheciam o caminho e o cachorro colaborava correndo à frente. Rapidamente chegou à praça do vilarejo, descarregou todos os presentes e se despediu do cachorro e dos cavalos, que desapareceram num piscar de olhos. O povo foi chegando. Martinho distribuiu quase tudo o que tinha trazido e teve que contar dezenas de vezes a sua aventura. Nos dias seguintes, muitos prepararam carroças e cavalos e se embrenharam naquela estrada, no entanto todos voltaram de mãos vazias e de cabeça baixa. Aquela estrada não conduzia mesmo a lugar algum. Isso aconteceu porque certos tesouros existem somente para quem acredita neles e abre por primeiro um novo caminho. E o primeiro tinha sido Martinho cabeça-dura.
Sempre gostei desta história, porque ela se parece muito com a nossa vida. Todos temos um caminho único e próprio a percorrer. Podemos ter inúmeros companheiros de viagem, mas somente nós podemos trilhar o caminho da nossa vida. Ainda podemos sair em grupo do mesmo lugar, mas os percursos são diferenciados. O que pode parecer fácil para alguns pode ser muito difícil para outros e vice-versa. Vivendo, cada um abre o seu próprio caminho. Alcançamos objetivos e realizamos projetos diferentes conforme as metas que sonhamos e que nos propomos conseguir com mais ou menos determinação, coragem e disposição. Na experiência de alcançar uma meta sonhada e desejada está a nossa alegria por mais simples e humilde que seja esta meta. Podem ser os pequenos passos de uma criança que aprende a falar e a andar, como os resultados de trabalhos e esforços de uma vida inteira. A tristeza da existência humana é não ter meta nenhuma. Não sonhar com nenhum “tesouro” que valha a pena ser buscado e alcançado. Maior é o bem desejado maiores serão também as dificuldades para alcançá-lo, mas muito maior ainda será a felicidade quando chegarmos lá.
Quem acredita que a vida é um dom do amor de Deus, só deseja encontrá-lo e fazer da sua existência um caminho para conseguir essa meta. Ele é o único tesouro que vale a pena buscar com todas as forças, acreditando e perseverando até o fim. Contudo ninguém alcançaria essa meta tão alta sem a ajuda de quem já sabe e está pronto para nos socorrer. Jesus se oferece para nós como “o caminho, a verdade e a vida” para chegar ao Pai. Cabe a nós liberar o caminho dos entulhos que nos impedem acertar a meta. Para quem acreditar e nunca desistir a alegria será sem comparações. A fé nos pede mesmo uma cabeça bem dura.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ó Senhora de Fátima…


 
Ó Senhora de Fátima…
Dá-me um pouco de tua força para minha fraqueza
Um pouco da tua coragem para o meu desalento
Um pouco da tua compreensão para o meu problema
Um pouco da tua plenitude para o meu vazio
Um pouco da tua rosa para o meu espinho
Um pouco da tua certeza para a minha dúvida
Um pouco do teu sol para o meu inverno
Um pouco da tua disponibilidade para o meu cansaço
Um pouco do teu rumo infinito para o meu extravio
Um pouco da tua neve para o barro do meu pecado
Um pouco da tua luminosidade para a minha noite
Um pouco da tua alegria para a minha tristeza
Um pouco da tua sabedoria para a minha ignorância
Um pouco do teu amor para o meu rancor
Um pouco da tua pureza para o meu pecado
Um pouco da tua vida para a minha morte
Um pouco da tua transparência para o meu escuro
Um pouco do teu Filho Jesus para este teu filho pecador
Com esses poucos, Senhora, eu terei tudo!

Paróquia São José - Macapá

Paróquia São José - Macapá
Catedral São José e Igreja São José em época de festividade em honra ao padroeiro