quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Amapaenses incendiam a rua para chamar atenção das autoridades




Na tarde da última terça-feira, 07, dezenas de moradores do bairro Santa Rita repudiados com a situação de abandono do local há mais de 11 anos, tocaram fogo em entulhos na Rua Almirante Barroso, esquina com a Rua Santa Catarina.  Os bombeiros foram chamados para apagar o incêndio.
De acordo com os moradores, “o lago” localizado na rua provocado pelas chuvas atrapalha a passagem de quem precisa trafegar pelo trajeto diariamente. Em época de enchente a agua demora três meses para secar. Os prejuízos da vizinhança e dos comerciantes são incalculáveis. Além dos transtornos que os cidadãos macapaenses passam por pagarem seus impostos e não terem o retorno das autoridades competentes, falta a “qualidade de vida”. 

Reginaldo Ferreira, de 34 anos, mora próximo ao local há 30 anos, ele registrou com fotos do seu próprio celular o momento que a população se revoltou. A intensidade da fumaça assustava as pessoas, que de longe passavam.
“Eu moro aqui desde os quatro anos de idade, e há muitos anos essa situação de canalização não muda. No início, os moradores das avenidas seguintes começaram a serrar suas casas, a tubulação não comportou a água que vem, e a consequência foi à enchente. Desde as 15 horas de hoje, no inicio da manifestação, até agora, 17 horas, a agua não diminuiu. A lama causa um forte odor.” Contou o morador, Reginaldo.

Moradores se mudam, comércios estão se fechando, os que ainda estão passam por essas dificuldades cotidianamente. É o caso do  proprietário de uma lavagem de carros, Jeferson Moreira  teve que  teve  que ir a agencia bancária para fechar as máquinas de passar cartão. “Eu estou falido. Faz quatro anos que sofro com essa situação. Eu fui à agência bancária bloquear os serviços de cartão, eles me cobraram R$ 94  sem nem eu ter efetuado nenhuma venda.  Além de pagar  IPVA, pago também Alvará, meu empreendimento esta regularizado, está aqui as documentações, porém, somente este ano de 2013, se eu trabalhei três meses, foi muito. A panificadora que tinha na rua já se mudou daqui. Mas eu não tenho para onde ir.”  Disse o trabalhador, desiludido.



Descaso
A vizinhança cobra das autoridades uma solução. Os moradores reclamam da ausência do Ministério Público, eles prometeram até fechar a rua de frente ao MP para chamar a atenção das autoridades, para que o MP possa cobrar soluções dos representantes.
“Mais de 10  anos que os prefeitos fazem promessas em cima de promessas. Já veio inverno, verão e novamente inverno. Cadê o Ministério Público, os guardiões de nossos direitos, que não chamam as autoridades representantes lá no MP.  Vamos continuar a fechar as ruas.  Com o povo o tempo todo debaixo d’agua, nós não aguentamos mais,  e se não for resolvido nós vamos fechar a rua do Ministério Público também.” Alertou Mário Bueres.


Direito por Lei
O cidadão também lembrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que Estados e Municípios devem atuar de maneira compartilhada na prestação de serviços de saneamento. No Estatuto das Cidades, também  fala que é competência da união o Saneamento Básico. “CF (1988), Art. 21 – Compete à União instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos.” “Todas às vezes que nós puxamos a descarga do banheiro da nossa casa, nós pagamos impostos. É imposto pra todo lado. A gente só serve pra pagar impostos? Os direitos são somente para os pobres cumprir? E cadê os nossos direitos?” indagou o cidadão, Jeferson Moreira. (Mônica Costa - Jornal do Dia)

Paróquia São José - Macapá

Paróquia São José - Macapá
Catedral São José e Igreja São José em época de festividade em honra ao padroeiro