Na tarde da última terça-feira,
07, dezenas de moradores do bairro Santa Rita repudiados com a situação de
abandono do local há mais de 11 anos, tocaram fogo em entulhos na Rua Almirante
Barroso, esquina com a Rua Santa Catarina.
Os bombeiros foram chamados para apagar o incêndio.
De acordo com os moradores, “o
lago” localizado na rua provocado pelas chuvas atrapalha a passagem de quem
precisa trafegar pelo trajeto diariamente. Em época de enchente a agua demora
três meses para secar. Os prejuízos da vizinhança e dos comerciantes são
incalculáveis. Além dos transtornos que os cidadãos macapaenses passam por
pagarem seus impostos e não terem o retorno das autoridades competentes, falta
a “qualidade de vida”.
Reginaldo Ferreira, de 34 anos,
mora próximo ao local há 30 anos, ele registrou com fotos do seu próprio
celular o momento que a população se revoltou. A intensidade da fumaça
assustava as pessoas, que de longe passavam.
“Eu moro aqui desde os quatro
anos de idade, e há muitos anos essa situação de canalização não muda. No
início, os moradores das avenidas seguintes começaram a serrar suas casas, a
tubulação não comportou a água que vem, e a consequência foi à enchente. Desde
as 15 horas de hoje, no inicio da manifestação, até agora, 17 horas, a agua não
diminuiu. A lama causa um forte odor.” Contou o morador, Reginaldo.
Moradores se mudam, comércios
estão se fechando, os que ainda estão passam por essas dificuldades
cotidianamente. É o caso do proprietário
de uma lavagem de carros, Jeferson Moreira
teve que teve que ir a agencia bancária para fechar as
máquinas de passar cartão. “Eu estou falido. Faz quatro anos que sofro com essa
situação. Eu fui à agência bancária bloquear os serviços de cartão, eles me
cobraram R$ 94 sem nem eu ter efetuado
nenhuma venda. Além de pagar IPVA, pago também Alvará, meu empreendimento
esta regularizado, está aqui as documentações, porém, somente este ano de 2013,
se eu trabalhei três meses, foi muito. A panificadora que tinha na rua já se
mudou daqui. Mas eu não tenho para onde ir.”
Disse o trabalhador, desiludido.
Descaso
A vizinhança cobra das autoridades uma solução. Os moradores reclamam da ausência do
Ministério Público, eles prometeram até fechar a rua de frente ao MP para
chamar a atenção das autoridades, para que o MP possa cobrar soluções dos
representantes.
“Mais de 10 anos que os prefeitos fazem promessas em cima
de promessas. Já veio inverno, verão e novamente inverno. Cadê o Ministério
Público, os guardiões de nossos direitos, que não chamam as autoridades
representantes lá no MP. Vamos continuar
a fechar as ruas. Com o povo o tempo
todo debaixo d’agua, nós não aguentamos mais,
e se não for resolvido nós vamos fechar a rua do Ministério Público
também.” Alertou Mário Bueres.
Direito por Lei
O cidadão também lembrou que o
Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que Estados e Municípios devem atuar de
maneira compartilhada na prestação de serviços de saneamento. No Estatuto das
Cidades, também fala que é competência
da união o Saneamento Básico. “CF (1988), Art. 21 – Compete à União instituir
diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento
básico e transportes urbanos.” “Todas às vezes que nós puxamos a descarga do
banheiro da nossa casa, nós pagamos impostos. É imposto pra todo lado. A gente
só serve pra pagar impostos? Os direitos são somente para os pobres cumprir? E
cadê os nossos direitos?” indagou o cidadão, Jeferson Moreira. (Mônica Costa - Jornal do Dia)
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