Por Mônica Costa
A Ponte Binacional, que liga o
Amapá a Guiana Francesa, é uma realidade. Porém, para que essa obra se torne
viável, um longo caminho ainda precisa ser percorrido. Em visita ao Amapá, uma
comitiva guianense analisou a obra que deveria servir de elo entre os dois
países.
Foi com o vice-prefeito de
Saint George, Edmar Eufort, o representante do Conselho Regional da Guiana
Francesa, Christ Chantilly, o radialista francês Claude Joseph e o fundador da
Djokan, arte marcial africana da Amazônia, Dôkô Sawani Makan, que a reportagem
do Jornal do Dia esteve conversando esta semana. Eles pontuaram sobre suas
expectativas com a inauguração da Ponte Binacional, os desafios a ser
superados, e as dificuldades a serem enfrentadas principalmente quanto a
relação e cooperação entre Brasil e França.
Ponte Binacional
Para o vice-prefeito Edmar
Eufort, o assunto é tão polêmico que nem mesmo data para a inauguração a Ponte
Binacional possui. “Não está confirmada a data de inauguração, nós não temos
essa confirmação. Na minha opinião, como representante de Saint George, sobre a
expectativa da inauguração da ponte, elas são grandes pois há muitas questões
no interesse de desenvolver o nosso território da fronteira, e nós sabemos que
não depende somente do representante do governo na Guiana Francesa e nem do
governo do estado do Amapá. Pois são outros políticos que fazem esse laço com
Itamarati em Brasília e lá em Paris, eu acho que os políticos estão deixando a
desejar, eles não conhecem as
necessidades do povo da fronteira. Nós estamos dentro da mesma região mas não
conseguimos ter diálogo”, reclamou o vice-prefeito.
Necessidades urgentes
De acordo com Edmar, é
importante tratar a questão da cooperação entre os dois países como algo
sumamente relevante e conscientizar o povo amapaense e guianense que sem uma
verdadeira relação de cooperação e de intercâmbio, a fronteira pode demorar se
desenvolver. “Nossos políticos devem entender a nossa realidade, e priorizar
que a fronteira cresça em prol da melhoria de vida do nosso povo.”, destacou.
Garimpo e Pesca Ilegal
Segundo ele, é imprescindível
não esquecer da “clandestinagem” brasileiros que atravessam clandestinamente,
sem os documentos necessários para estar trabalhando corretamente no território
francês. “Há certos momentos, não
podemos esquecer, do garimpo e da pesca ilegal, visto que é um dos problemas
que acontecem constantemente na Guiana Francesa com nossos vizinhos, porém, a
cooperação não é apenas isso, o garimpo e a pesca ilegal. Há uma infinidade de
ações e projetos que podemos fazer juntos e podemos sim, fazer uma boa
cooperação entre nós.”
Soluções
Entre as soluções abordadas
pelo representante da Guiana, com objetivo se fazer uma boa troca de
conhecimento entre as fronteiras foram às realizações de projetos. Segundo
Edmar através dos projetos facilita a amizade para ambas às partes. O
brasileiro pode ir conhecer a Guiana Francesa sem nenhum constrangimento. “Com
projetos concretos tudo facilita, mas, não concretos como foi feito essa ponte
que para mim, é só mais uma barreira. Através da nossa cultura, da nossa
tradição e da nossa lei, devemos ir de acordo com a lei que rege os dois
países.”, alertou. “O Amapá é uma Guiana
brasileira. Para fortalecer nossos laços de amizade e difundir o que temos de
bom, nós devemos que trabalhar com a base, ou seja, especialmente com as
crianças para que elas já cresçam conhecendo a nossa cultura tanto Amapá como a
Guiana Francesa, eu acho que o povo amapaense não conhece a história do
guianense e muito menos o povo da Guiana sabe da história dos amapaenses. E
quando na verdade, as trajetórias de lutas e conquistas se parecem.
Os afrodescendentes da França
também vieram morar no Brasil no passado”, contou.
O que poucas pessoas sabem, é
que os franceses já têm o próprio passaporte a partir do nascimento, eles
procuram tirar o documento ainda criança. Diferentemente da maioria dos
brasileiros que se preocupam em retirar o passaporte quando é preciso fazer uma
viagem internacional. Portanto, quem quiser viajar corretamente para o outro
lado, do Rio Oiapoque já pode preparar o passaporte e apresentar projetos
concretos, visando sempre à expansão do saber.
Djokan no Amapá
Durante as programações
realizadas na Semana da Consciência Negra, Macapá recebeu a visita do fundador
do Djokan, que é uma arte marcial africana da Amazônia, o mestre Dôkô Sawani
Makan. Na Guiana, o mestre trabalha com
crianças, jovens, idosos e deficientes físicos. Ele veio apresentar o seu
trabalho social na capital. O Djokan originou práticas bélicas, esportes,
danças tradicionais, costumes e tradições dos nativos americanos, o Bushinenge
e crioulo. O esporte valoriza o que há de bom na Amazônia.
Segundo Dôkô Sawani, foram
mais de 15 anos de pesquisas e estudos para a projeção desse esporte Djokan, em
2010. Ele disse que teve a oportunidade de praticar com os maiores mestres, por
isso teve a honra de ser o guardião dessa tradição, na América do Sul. “O
Djokan incentiva o metabolismo do ser humano, elege a disciplina, a paciência,
o equilíbrio e busca da perfeição, tem diversos benefícios à saúde que são
considerados nos requisitos básicos da arte marcial africana, Djokan.”,
ressaltou Gran Dôkô.
Já o radialista francês Claude
Joseph, fez toda a cobertura ao vivo da programação cultural amapaense,
diretamente Macapá à rádio da Guiana Francesa.