Por Mônica Costa
É crescente a globalização e
junto com ela aumentam também os desafios que o jornalismo enfrenta diante de
um mundo atual, onde impera o capitalismo e a busca incessante pelo novo. As
novas tecnologias no mundo da comunicação é um dos grandes desafios. E com isso
gera as dúvidas de como enfrentar as adversidades e promover a justiça, a paz e
a solidariedade entre as pessoas, sem esquecer-se de informar, educar e
conscientizar a população. Mas, como continuar o compromisso de levar as
informações para a vida da sociedade através dos diversos meios de comunicação
sociais, em favor da construção da cidadania?
O presidente do Conselho
Editorial do Jornal do Dia, Aldenor Benjamim dos Santos, recebeu ontem a equipe
de reportagem e falou sobre esses temas, destacando as vantagens e desafios que
os meios de comunicação têm passado atualmente. Aldenor,além de padre, é também
professor na Universidade Federal do Amapá, com mestrado em Sociologia pela PUG
[Pontifício Universidade Gregoriana] de Roma, e também doutor em Comunicação
pela Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, também na Itália.
As tecnologias e a comunicação
De acordo com o professor Dr.
Aldenor Benjamim, o mundo da comunicação é um mundo novo. Um mundo todo a ser
desvendado, um mundo que precisa ser reconstruído, cheio de grandes
desafios. Segundo ele, as novas tecnologias
trouxeram desafios tanto para a vida cristã como para os relacionamentos e para
a realidade humana. “O mundo tecnológico inaugurou uma nova maneira de se
pensar, pois antigamente se dizia que o centro de tudo era Deus, depois era o
homem. Mas hoje, o centro de tudo não é mais Deus e nem o homem, mas sim a
máquina. É a tecnologia que define a nossa vida, que define os nossos valores,
as nossas opções, quando não deveria ser assim! Porém, somos marcados com essa
força tecnológica, essa força que determina toda a nossa convivência a nossa
relação social”, ressaltou.
Os desafios no mundo da
comunicação
Aldenor destacou que o
primeiro grande desafio no mundo moderno da informação é a socialização dos
meios de comunicação, visto que, os meios não estão somente a serviço de uma
classe, de uma ideologia, mas que precisam ser partilhados para construir a
justiça, a fraternidade e paz, diante de um mundo marcado por tanta injustiça e
humilhação, com tantas guerras e violência. Como utilizar as novas tecnologias
para construir a paz e para que todos tenham acesso à informação de
qualidade?”, indagou.
Para ele, o segundo desafio
sempre foram as novas gerações diante das novas tecnologias.Aldenor indagou
que“diante das novas tecnologias, como ficam as novas gerações? A preocupação
com as crianças, com a juventude, com a família em propor a formação. Desafios
ligados à vida, ligados a paz e da própria formação da criança, diante da
família”,questionou.
Ele respondeu que o terceiro
desafio é integrar, fazer com que os meios de comunicação ajudem a construir a
cidadania, em prol de uma vida melhor.
E falou também um pouco sobre os protestos no
Brasil e no mundo.“Construir uma vida, uma cidadania diante dos protestos que
acorreram é um desafio não somente no Brasil nos últimos tempos. Mas, a realidade
que estamos vendo no mundo, na situação da Primavera Muçulmana, a situação da
Síria, hoje no Egito, todas essas questões problemáticas que são vistas pelos
meios de comunicação, crescem a nossa solidariedade”, ressaltou Aldenor
enfatizou que os meios de comunicação tem o papel fundamental de fazer crescer
a solidariedade entre as pessoas. “Se não fossem os meios de comunicação, como
ficaríamos sabendo desses acontecimentos mundiais? São informações quase em
tempo real”,enfatizou.
Fé e comunicação
Outro ponto abordado por
Aldenor é a situação que os meios de comunicação se posicionam hoje no sentido
da fé.
Afinal, como utilizar os meios
de comunicação para divulgar a fé, e anunciar Jesus Cristo, falar sobre o
evangelho, sobre a vida, sobre os valores, Deus?”, perguntou.
Ele explicou que temos duas
situações nos meios de comunicação. Uma é aquilo que Umberto Eco definiu no
livro “Apocalípticos e Integrados”. “Às vezes podemos ver os meios de
comunicação como um grande Apocalíptico, ou seja, uma destruição de valores. Ou
podemos vê-lo como um olhar mais integrado. Integrados na nossa vida, na
construção da cidadania e da solidariedade”, explicou.
Educação dos meios
Para Aldenor, diante de tantas
indagações o melhor caminho a ser seguido é o da educação dos meios de
comunicação. “Eu acredito que só se olha os meios de comunicação a partir de
uma realidade sociocentrica. Você começa a observar a sociedade e entender a
importância da presença dos meios da comunicação. Tudo passa pela educação do
uso dos meios. Educar para utilizar bem os meios de comunicação.
Desde as formas mais simples
como por exemplo um CD que se escuta, uma rádio, a internet e as redes sociais.
Devemos transformar esses meios e a integração com o favorecimento da
construção da cidadania”,analisou.
Papel na sociedade
É diante de tantos desafios
que hoje o Jornal do Dia se mantém como um dos principais meios de comunicação
da região Norte. Aldenor destacou a relevância deste tradicional difusor de
informações. Para ele, o Jornal do Dia
tem um papel fundamental na sociedade amapaense, em várias dimensões, sendo que
o principal papel social é a busca da verdade. “O impresso sempre se
caracterizou ao longo da história como aquela voz profética, voz das minorias,
dando voz aqueles que não têm voz.
Como por exemplo,fazer ecoar a
voz dos excluídos da sociedade, em prol de resgatar a cidadania, promover a paz
e a justiça social. Eu acredito que o Jornal do Dia durante todos esses anos,
apesar dos altos e baixos, sempre teve esse foco em se expressar assim:
‘queremos construir um Amapá melhor.
Queremos construir um
diferencial em nossa terra’. Essa foi a missão do Jornal do Dia nos últimos
anos. E desde o princípio quando ele foi pensado por Júlio Pereira, na função
de discernir a relação com a vida cotidiana,de ser uma voz dentro da sociedade
amapaense, e sempre criar a inquietação, fazendo com que as pessoas acordem
diante dos desafios da vida. Fazer a sociedade perceber que os desafios não são
coisas casuais da vida, entre a causa e efeito.É muito mais do que isso.Temos
que criara inquietação no meio social.
Pois, toda mudança começa pela
inquietação e indignação. Se o ser humano não começar a se indignar diante da
tristeza, da violência e da angústia, não tem mudança”, alertou.