Inspirados nos protestos das grandes capitais
contra o aumento da tarifa de ônibus e melhores condições de vida,
amapaenses também realizaram ontem manifestação
Ontem foi um dia histórico de
expressão popular. No inicio da manifestação às 16 horas já se encontravam na
Praça da Bandeira, cerca de 4 mil pessoas, número que no decorrer do protesto
pode ter chegado a dez mil, de acordo com a própria estimativa da Polícia
Militar.
Milhares de pessoas chegavam
com apitos, faixas e cartazes reivindicando e clamando por justiça, saúde,
educação, liberdade de expressão, segurança pública. “São tantos problemas que
não cabem no cartaz” estudantes levavam vários cartazes com a mesma
mensagem.
Uma bandeira gigante dizia:
“Diga Não a PEC 37”, o ato público que tinha um foco principal em exigir das
autoridades as melhorias nos transportes públicos, deu brecha à população
indignada com tanta corrupção a manifestar na oportunidade, a insatisfação da
má administração dos representantes públicos.
Por um instante, opiniões
foram divididas entre os mesmo que estavam a frente a Prefeitura Municipal de
Macapá. Enquanto uns cantavam o hino Nacional Brasileiro, parte dos
manifestantes jogavam sacolas de lixo dentro da Prefeitura. Enquanto alguns
gritavam “eu quero ver o circo pegar fogo”, a maioria pedia para que eles se
acalmassem para não chamar a atenção dos policiais. Foi inútil. Eles se
dividiram e os policiais tiveram que entrar no meio para apartar a confusão.
O comandante geral da policia
militar, coronel Rezende, viu-se obrigado a acionar um grupamento militar.
“Quase 10 mil pessoas estão aqui, só que infelizmente o grupo de vândalos
tentou atrapalhar, lá na Assembleia Legislativa tocando fogo em cartazes, mas
já foi tranquilo”, disse o coronel Rezende.
Sobre a manifestação
Às 18 horas, o prefeito de
Macapá Clécio Luis recebeu a reportagem do Jornal do Dia e falou sobre a
manifestação. “De fato o Brasil vive um momento histórico, ocorreu hoje a maior
manifestação popular e sobretudo pela juventude, no Amapá. A capital amapaense desde quando eu
participei de movimentos estudantis, eu participei do movimento Fora Collor e
participei também todas as manifestações como militante político e como
vereador da cidade. E vi a juventude ávida pelo debate político, manifestada
pelo cansaço e insatisfação”, relembrou.
De acordo com o prefeito, já
era esperado que ocorresse algum tipo de ação de algumas pessoas que não
estavam ali para somar com o evento. “Claro que entre o movimento algumas
pessoas vão canalizar e drenar as energias para outro foco, mas é bom a
juventude se reunir para debater os problemas da cidade”, destacou.
Tarifa de ônibus
Sendo um dos estopins de
tantos protestos em todo o país, o aumento da tarifa foi comentado pelo gestor
municipal. “Estamos numa força tarefa para levar a população mais qualidade nos
serviços de transporte públicos. Fiquei aqui no Palácio para se fosse preciso
debater com a liderança do movimento sobre as passagens de ônibus. Como não
houve necessidade do diálogo continuamos planejando uma planilha”, concluiu o
prefeito.
Texto Mônica Costa
Fonte: Jornal do Dia _ Matéria sobre as Manifestações no Amapá
Fotos Celiane Freitas e Ellen Costa do Jornal do Dia