Por Mônica Costa
Fonte: Jornal do Dia: Igreja São José
A parte de madeira da antiga
Catedral São José está envelhecida. Os cupins estão tomando conta do forro de
madeira. Um dos lustres localizado próximo ao altar, já caiu. A sorte é que
ninguém estava lá no momento do acidente. Tanto dentro, quanto fora da igreja
há pequenas trincas nas paredes. A defesa civil disse que as rachaduras não
oferecem riscos. Porém já alertou que o monumento por ser o prédio mais antigo
da cidade, com 255 anos, precisa de uma atenção imediata.
O engenheiro da Defesa Civil no
Amapá, o major Frederico Medeiros certificou a reportagem do Jornal do Dia, que
após a vistoria técnica foi encontrada a presença de cupins, infiltrações nas
paredes, e madeira envelhecida além de outros problemas que não oferecem
riscos. Ele ressaltou que embora não tenha interditado a realizações de missas
no local, uma vistoria deve ser realizada nos próximos três meses.
“As tesouras em madeiras de
lenhas estão envelhecidas pela a idade da edificação, na estrutura do prédio é
forçoso pedir uma restauração. Em função deterioração, das patologias nós
identificamos que o risco é não eminente e por conta disso ainda não
interditamos. Mas, daqui 90 dias, nós vamos fazer uma vistoria novamente.”
Alertou.
A igreja São José é a igreja mãe.
Local onde mora próximo dela, o bispo diocesano Dom Pedro José Conti. As festas
solenes de aniversário da cidade acorrem na bicentenária na presença de
autoridades locais e famílias pioneiras. É comemorada também a festividade do
padroeiro do estado, São José e da padroeira da Amazônia Nossa Senhora de
Nazaré, o tradicional o Círio de Nazaré.
De acordo com padre Lourenço
Araújo Filho, que é pároco da Paróquia São José, a última alteração realizada
na parte de madeira ocorreu há aproximadamente quatro anos atrás, quando em
vida, o antigo pároco Paolo Lepre realizou uma pequena reforma em uma parte da
estrutura de madeira. Segundo Lourenço Filho, além de
reformar o forro também é necessário fazer uma restauração de todo o prédio.
Ele destacou que deve recorrer às autoridades do Estado do Amapá. Tanto ao
governador do estado Camilo Capiberibe, quanto ao prefeito municipal Clécio
Luis e também a bancada federal e deputados estaduais para que tenham atenção
com o monumento histórico.
“A cidade de Macapá cresceu em
torno da igreja, em 1758, ainda quando a cidade era chamada de Vila de São José
de Macapá, há dois séculos. Essa tradição deve continuar, porém, devemos dar
segurança à comunidade que frequenta a igrejinha porque ela é do povo. Nós já
solicitamos a ajuda de nossas autoridades e as pessoas de boa vontade que
queiram contribuir também. Visto que, o laudo que a defesa civil realizou foi
detectado a presença de cupins na madeira. E nós pretendemos devolver pequenos
detalhes, que existia nela antigamente.” Disse o pároco.
Dona Zulma Carneiro, de 78 anos, disse que
chegou ao Amapá em 1935, e logo começou a servir na igreja com 12 anos e nela
se casou, batizou seus dois filhos e netos. Ela ainda sente falta dos detalhes
que foram modificados no Templo. “Naquele tempo, ao lado direito da igreja
tinha uma escadaria onde os padres e leigos falavam sobre a Semana Santa...
Havia dentro da igreja uma mesa da comunhão, e as pessoas comungavam
ajoelhadas, as mulheres com o véu na cabeça, na época que o sacerdote celebrava
a missa de costa para os fiéis. Lembro também que na sacristia havia uma andar,
onde os padres trocavam as roupas para celebrar.” Contou a paroquiana.
Segundo Zulma, é importante que
os católicos amapaenses se mobilizem em prol da revitalização e tombamento da
Igreja, para que se torne patrimônio histórico do Amapá e reconhecimento do
valor cultural, levando em conta função social.
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