sábado, 31 de agosto de 2013

Paróquia pede tombamento da Igreja São José



Por Mônica Costa
Fonte: Jornal do Dia: Igreja São José
A parte de madeira da antiga Catedral São José está envelhecida. Os cupins estão tomando conta do forro de madeira. Um dos lustres localizado próximo ao altar, já caiu. A sorte é que ninguém estava lá no momento do acidente. Tanto dentro, quanto fora da igreja há pequenas trincas nas paredes. A defesa civil disse que as rachaduras não oferecem riscos. Porém já alertou que o monumento por ser o prédio mais antigo da cidade, com 255 anos, precisa de uma atenção imediata.

O engenheiro da Defesa Civil no Amapá, o major Frederico Medeiros certificou a reportagem do Jornal do Dia, que após a vistoria técnica foi encontrada a presença de cupins, infiltrações nas paredes, e madeira envelhecida além de outros problemas que não oferecem riscos. Ele ressaltou que embora não tenha interditado a realizações de missas no local, uma vistoria deve ser realizada nos próximos três meses.

“As tesouras em madeiras de lenhas estão envelhecidas pela a idade da edificação, na estrutura do prédio é forçoso pedir uma restauração. Em função deterioração, das patologias nós identificamos que o risco é não eminente e por conta disso ainda não interditamos. Mas, daqui 90 dias, nós vamos fazer uma vistoria novamente.” Alertou.

A igreja São José é a igreja mãe. Local onde mora próximo dela, o bispo diocesano Dom Pedro José Conti. As festas solenes de aniversário da cidade acorrem na bicentenária na presença de autoridades locais e famílias pioneiras. É comemorada também a festividade do padroeiro do estado, São José e da padroeira da Amazônia Nossa Senhora de Nazaré, o tradicional o Círio de Nazaré.

De acordo com padre Lourenço Araújo Filho, que é pároco da Paróquia São José, a última alteração realizada na parte de madeira ocorreu há aproximadamente quatro anos atrás, quando em vida, o antigo pároco Paolo Lepre realizou uma pequena reforma em uma parte da estrutura de madeira. Segundo Lourenço Filho, além de reformar o forro também é necessário fazer uma restauração de todo o prédio. Ele destacou que deve recorrer às autoridades do Estado do Amapá. Tanto ao governador do estado Camilo Capiberibe, quanto ao prefeito municipal Clécio Luis e também a bancada federal e deputados estaduais para que tenham atenção com o monumento histórico. 

“A cidade de Macapá cresceu em torno da igreja, em 1758, ainda quando a cidade era chamada de Vila de São José de Macapá, há dois séculos. Essa tradição deve continuar, porém, devemos dar segurança à comunidade que frequenta a igrejinha porque ela é do povo. Nós já solicitamos a ajuda de nossas autoridades e as pessoas de boa vontade que queiram contribuir também. Visto que, o laudo que a defesa civil realizou foi detectado a presença de cupins na madeira. E nós pretendemos devolver pequenos detalhes, que existia nela antigamente.” Disse o pároco.

Dona Zulma Carneiro, de 78 anos, disse que chegou ao Amapá em 1935, e logo começou a servir na igreja com 12 anos e nela se casou, batizou seus dois filhos e netos. Ela ainda sente falta dos detalhes que foram modificados no Templo. “Naquele tempo, ao lado direito da igreja tinha uma escadaria onde os padres e leigos falavam sobre a Semana Santa... Havia dentro da igreja uma mesa da comunhão, e as pessoas comungavam ajoelhadas, as mulheres com o véu na cabeça, na época que o sacerdote celebrava a missa de costa para os fiéis. Lembro também que na sacristia havia uma andar, onde os padres trocavam as roupas para celebrar.” Contou a paroquiana. 

Segundo Zulma, é importante que os católicos amapaenses se mobilizem em prol da revitalização e tombamento da Igreja, para que se torne patrimônio histórico do Amapá e reconhecimento do valor cultural, levando em conta função social.

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Paróquia São José - Macapá

Paróquia São José - Macapá
Catedral São José e Igreja São José em época de festividade em honra ao padroeiro