segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Entrevista com Padre Doutor Aldenor Benjamim - Vantagens e Desafios Jornal do Dia



Por Mônica Costa 
É crescente a globalização e junto com ela aumentam também os desafios que o jornalismo enfrenta diante de um mundo atual, onde impera o capitalismo e a busca incessante pelo novo. As novas tecnologias no mundo da comunicação é um dos grandes desafios. E com isso gera as dúvidas de como enfrentar as adversidades e promover a justiça, a paz e a solidariedade entre as pessoas, sem esquecer-se de informar, educar e conscientizar a população. Mas, como continuar o compromisso de levar as informações para a vida da sociedade através dos diversos meios de comunicação sociais, em favor da construção da cidadania?

O presidente do Conselho Editorial do Jornal do Dia, Aldenor Benjamim dos Santos, recebeu ontem a equipe de reportagem e falou sobre esses temas, destacando as vantagens e desafios que os meios de comunicação têm passado atualmente. Aldenor,além de padre, é também professor na Universidade Federal do Amapá, com mestrado em Sociologia pela PUG [Pontifício Universidade Gregoriana] de Roma, e também doutor em Comunicação pela Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, também na Itália.

As tecnologias e a comunicação
De acordo com o professor Dr. Aldenor Benjamim, o mundo da comunicação é um mundo novo. Um mundo todo a ser desvendado, um mundo que precisa ser reconstruído, cheio de grandes desafios.  Segundo ele, as novas tecnologias trouxeram desafios tanto para a vida cristã como para os relacionamentos e para a realidade humana. “O mundo tecnológico inaugurou uma nova maneira de se pensar, pois antigamente se dizia que o centro de tudo era Deus, depois era o homem. Mas hoje, o centro de tudo não é mais Deus e nem o homem, mas sim a máquina. É a tecnologia que define a nossa vida, que define os nossos valores, as nossas opções, quando não deveria ser assim! Porém, somos marcados com essa força tecnológica, essa força que determina toda a nossa convivência a nossa relação social”, ressaltou.

Os desafios no mundo da comunicação
Aldenor destacou que o primeiro grande desafio no mundo moderno da informação é a socialização dos meios de comunicação, visto que, os meios não estão somente a serviço de uma classe, de uma ideologia, mas que precisam ser partilhados para construir a justiça, a fraternidade e paz, diante de um mundo marcado por tanta injustiça e humilhação, com tantas guerras e violência. Como utilizar as novas tecnologias para construir a paz e para que todos tenham acesso à informação de qualidade?”, indagou.

Para ele, o segundo desafio sempre foram as novas gerações diante das novas tecnologias.Aldenor indagou que“diante das novas tecnologias, como ficam as novas gerações? A preocupação com as crianças, com a juventude, com a família em propor a formação. Desafios ligados à vida, ligados a paz e da própria formação da criança, diante da família”,questionou.

Ele respondeu que o terceiro desafio é integrar, fazer com que os meios de comunicação ajudem a construir a cidadania, em prol de uma vida melhor.

E falou também um pouco sobre os protestos no Brasil e no mundo.“Construir uma vida, uma cidadania diante dos protestos que acorreram é um desafio não somente no Brasil nos últimos tempos. Mas, a realidade que estamos vendo no mundo, na situação da Primavera Muçulmana, a situação da Síria, hoje no Egito, todas essas questões problemáticas que são vistas pelos meios de comunicação, crescem a nossa solidariedade”, ressaltou Aldenor enfatizou que os meios de comunicação tem o papel fundamental de fazer crescer a solidariedade entre as pessoas. “Se não fossem os meios de comunicação, como ficaríamos sabendo desses acontecimentos mundiais? São informações quase em tempo real”,enfatizou.

Fé e comunicação
Outro ponto abordado por Aldenor é a situação que os meios de comunicação se posicionam hoje no sentido da fé.

Afinal, como utilizar os meios de comunicação para divulgar a fé, e anunciar Jesus Cristo, falar sobre o evangelho, sobre a vida, sobre os valores, Deus?”, perguntou.
Ele explicou que temos duas situações nos meios de comunicação. Uma é aquilo que Umberto Eco definiu no livro “Apocalípticos e Integrados”. “Às vezes podemos ver os meios de comunicação como um grande Apocalíptico, ou seja, uma destruição de valores. Ou podemos vê-lo como um olhar mais integrado. Integrados na nossa vida, na construção da cidadania e da solidariedade”, explicou.

Educação dos meios
Para Aldenor, diante de tantas indagações o melhor caminho a ser seguido é o da educação dos meios de comunicação. “Eu acredito que só se olha os meios de comunicação a partir de uma realidade sociocentrica. Você começa a observar a sociedade e entender a importância da presença dos meios da comunicação. Tudo passa pela educação do uso dos meios. Educar para utilizar bem os meios de comunicação.

Desde as formas mais simples como por exemplo um CD que se escuta, uma rádio, a internet e as redes sociais. Devemos transformar esses meios e a integração com o favorecimento da construção da cidadania”,analisou.

Papel na sociedade
É diante de tantos desafios que hoje o Jornal do Dia se mantém como um dos principais meios de comunicação da região Norte. Aldenor destacou a relevância deste tradicional difusor de informações.  Para ele, o Jornal do Dia tem um papel fundamental na sociedade amapaense, em várias dimensões, sendo que o principal papel social é a busca da verdade. “O impresso sempre se caracterizou ao longo da história como aquela voz profética, voz das minorias, dando voz aqueles que não têm voz.

Como por exemplo,fazer ecoar a voz dos excluídos da sociedade, em prol de resgatar a cidadania, promover a paz e a justiça social. Eu acredito que o Jornal do Dia durante todos esses anos, apesar dos altos e baixos, sempre teve esse foco em se expressar assim: ‘queremos construir um Amapá melhor.

Queremos construir um diferencial em nossa terra’. Essa foi a missão do Jornal do Dia nos últimos anos. E desde o princípio quando ele foi pensado por Júlio Pereira, na função de discernir a relação com a vida cotidiana,de ser uma voz dentro da sociedade amapaense, e sempre criar a inquietação, fazendo com que as pessoas acordem diante dos desafios da vida. Fazer a sociedade perceber que os desafios não são coisas casuais da vida, entre a causa e efeito.É muito mais do que isso.Temos que criara inquietação no meio social.

Pois, toda mudança começa pela inquietação e indignação. Se o ser humano não começar a se indignar diante da tristeza, da violência e da angústia, não tem mudança”, alertou.

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