sábado, 9 de novembro de 2013

O gigante nunca dormiu, afirma o autor da Lei da Ficha Limpa no Brasil

Meu Rascunho 
Por Mônica Costa
“O Gigante Acordado”.  É o nome do livro que o Juiz de Direito Márlon Jacinto Reis lançou no Amapá, na última sexta-feira, 08, na sede do Tribunal Regional Eleitoral durante o ciclo de palestras sobre Direito Eleitoral promovida pelo TER-AP. O livro fala sobre Manifestações, Ficha Limpa e Reforma Política. O juiz maranhense foi um dos redatores da minuta da Lei Complementar nº 135/2012, a Lei da Ficha Limpa, que impede a participação eleitoral de candidatos que tenham sofrido condenações criminais em âmbito colegiado. Ele é reconhecido nacionalmente também como um dos fundadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE. Além de ser presidente da Associação Brasileira de Magistrados Procuradores e Promotores Eleitorais – ABRAMPPE.

Acadêmicos do curso de direito, magistrados, servidores da justiça eleitoral e advogados participaram de uma vasta programação.

E durante uma entrevista pingue-pongue, à reportagem do Jornal do Dia,  Márlon Reis fez críticas, levantou fatos polêmicos no cenário da política brasileira, e cobrou a verdade na construção de uma nova democracia. Acompanhem.

O senhor acha que a lei da ficha limpa virou realidade no Brasil?

- Com certeza. Eu não tenho dúvida! A lei já afetou centenas de políticos nas eleições passada, inclusive, alguns nomes de envergaduras no cenário nacional tiveram suas candidaturas inviabilizadas pela lei. Além disso, ela cumpriu um papel pedagógico imenso, porque esse debate sobre a vida pregressa, sobre o passado dos candidatos. Antes isso não existia.  

E nós conseguimos introduzir esse assunto e no debate politico. E hoje também  os  candidatos procuram encontrar problemas na vida dos adversários. Com esse assunto, agora ficou inserido na sociedade brasileira, visto que, antes não se falava sobre isso.

Esse é o maio impacto da lei, e nós conseguimos  levantar um debate social, a importância de um passado idôneo, capaz de exercer de fato, atos civis e políticos.

Quais as dificuldades da sociedade proceder de acordo lei na realidade que vivemos?

Nós precisamos continuar atentos e devemos lutar pela correta aplicação da Lei. E isso é algo que ainda está em aberto, pois há uma disputa de intepretações.  Nós podemos deixar a lei presente no nosso cotidiano. E fazer, da mesma maneira que lutamos pela conquista dessa lei a sociedade deve lutar pela plena aplicação dela em todos os momentos.

Porque que é tão difícil combater a corrupção?

- Nós temos um problema sistêmico. A corrupção brasileira nasce e termina na política. Em todos os aspectos da vida política.  E ela inclusive no meu entendimento é institucionalizada pelas práticas das doações empresariais. Já que os empresários doam é claro que eles querem um retorno daquilo que investiram durante a campanha eleitoral.

Então isso se trata de uma maneira de oficializar a campanha. O primeiro ponto imbatível para evitar a corrupção é acabar com as doações empresariais.

Na reforma eleitoral, o que deve mudar?

- Além das proibições das doações empresariais, nós precisamos de um novo sistema eleitoral,  pois a maneira que se vota hoje para deputadas, vereadores enfim... Esse sistema eleitoral é extremamente carente de transparências.

Vota- se em um candidato e elegem-se outros e os cidadãos não sabem o que se elege em seus votos. Além do mais eles pensam que estão votando em indivíduos mas não estão. Eles estão votando em partidos políticos também. Isso é falta de transparência e é por isso que defendemos a mudança desse modelo. Para que as eleições sejam realizadas em dois turnos,  o primeiro turno se vota no partido e no segundo turno no candidato. Assim, com certeza o eleitor teria clareza que estaria votando no partido.  E depois o eleitor escolheria qual candidato, desta maneira não teria o risco  de seu voto ser transferido para outros que ele não desejava.



O senhor acha que o gigante acordou realmente?

- O gigante nunca dormiu! Simplesmente há uma força para tentar silencia-lo,  mas há muito tempo o girante está acordado. Veja bem, um Brasil que já derrubou presidente da República, um Brasil que já lutou pelas Diretas Já, um País que já derrubou a Ditadura Militar e há muito tempo vem brigando e agora mais do que nunca. E aprova que o gigante acordou é que atualmente, há um número maior de pessoas que está inconformado com a realidade.

Agora, falta à sociedade transformar essa inconformidade em ação em reação.  O brasileiro já esta vendo o que está acontecendo e hoje já consegue compreender essa dificuldade de onde elas vêm. Na hora que o cidadão transformar em ação, assim nós vamos ter, além de ter acordados, nós vamos ter resolvido os nossos principais problemas.

A seu ver, o eleitor sabe escolher o seu político?

O nosso  sistema eleitoral é tão ruim. Desde o sistema de financiamento, até o processo de votação que tem tantas falhas que nós não  podemos culpar o eleitor pelos problemas  não. Nós temos um sistema fraudulento que leva pessoas que votam em candidatos bons à terem seus votos a serem contabilizados em candidatos ruins, corruptos.

Por exemplo, uma pessoa que vota em um líder social honesto, e que não se elege, o seu voto é contabilizado para o político corrupto e o eleitor não tem consciência disso. E por isso temos que dosar as coisas quando nós  falamos dos eleitores. Porque nos estamos submetidos a uma fraude de imensa gravidade que é uma fraude no modelo atual das eleições.

Qual seria a melhor maneira de mudar o sistema?

Nós temos que mudar o sistema eleitoral para que fique  bem claro.  Para que o eleitor  possa escolher que partido ele quer ter no parlamento e depois qual candidatos seria o melhor. Infelizmente hoje isso acontece em um só momento e isso que faz com que o eleitor não tenha clareza do que esta fazendo, ele pensa que esta votando em um indivíduo e o seu voto é desviado para um partido que ele nem sabe que existe e pode ser notificado para um candidato que ele não sabia que seria contabilizado.


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