quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

“É preciso projetos concretos, caso contrário a Ponte Binacional será uma barreira”, alerta francês

Por Mônica Costa

A Ponte Binacional, que liga o Amapá a Guiana Francesa, é uma realidade. Porém, para que essa obra se torne viável, um longo caminho ainda precisa ser percorrido. Em visita ao Amapá, uma comitiva guianense analisou a obra que deveria servir de elo entre os dois países.

Foi com o vice-prefeito de Saint George, Edmar Eufort, o representante do Conselho Regional da Guiana Francesa, Christ Chantilly, o radialista francês Claude Joseph e o fundador da Djokan, arte marcial africana da Amazônia, Dôkô Sawani Makan, que a reportagem do Jornal do Dia esteve conversando esta semana. Eles pontuaram sobre suas expectativas com a inauguração da Ponte Binacional, os desafios a ser superados, e as dificuldades a serem enfrentadas principalmente quanto a relação e cooperação entre Brasil e França.

Ponte Binacional
Para o vice-prefeito Edmar Eufort, o assunto é tão polêmico que nem mesmo data para a inauguração a Ponte Binacional possui. “Não está confirmada a data de inauguração, nós não temos essa confirmação. Na minha opinião, como representante de Saint George, sobre a expectativa da inauguração da ponte, elas são grandes pois há muitas questões no interesse de desenvolver o nosso território da fronteira, e nós sabemos que não depende somente do representante do governo na Guiana Francesa e nem do governo do estado do Amapá. Pois são outros políticos que fazem esse laço com Itamarati em Brasília e lá em Paris, eu acho que os políticos estão deixando a desejar,  eles não conhecem as necessidades do povo da fronteira. Nós estamos dentro da mesma região mas não conseguimos ter diálogo”, reclamou o vice-prefeito.

Necessidades urgentes
De acordo com Edmar, é importante tratar a questão da cooperação entre os dois países como algo sumamente relevante e conscientizar o povo amapaense e guianense que sem uma verdadeira relação de cooperação e de intercâmbio, a fronteira pode demorar se desenvolver. “Nossos políticos devem entender a nossa realidade, e priorizar que a fronteira cresça em prol da melhoria de vida do nosso povo.”, destacou.

Garimpo e Pesca Ilegal
Segundo ele, é imprescindível não esquecer da “clandestinagem” brasileiros que atravessam clandestinamente, sem os documentos necessários para estar trabalhando corretamente no território francês.  “Há certos momentos, não podemos esquecer, do garimpo e da pesca ilegal, visto que é um dos problemas que acontecem constantemente na Guiana Francesa com nossos vizinhos, porém, a cooperação não é apenas isso, o garimpo e a pesca ilegal. Há uma infinidade de ações e projetos que podemos fazer juntos e podemos sim, fazer uma boa cooperação entre nós.”

Soluções
Entre as soluções abordadas pelo representante da Guiana, com objetivo se fazer uma boa troca de conhecimento entre as fronteiras foram às realizações de projetos. Segundo Edmar através dos projetos facilita a amizade para ambas às partes. O brasileiro pode ir conhecer a Guiana Francesa sem nenhum constrangimento. “Com projetos concretos tudo facilita, mas, não concretos como foi feito essa ponte que para mim, é só mais uma barreira. Através da nossa cultura, da nossa tradição e da nossa lei, devemos ir de acordo com a lei que rege os dois países.”, alertou.  “O Amapá é uma Guiana brasileira. Para fortalecer nossos laços de amizade e difundir o que temos de bom, nós devemos que trabalhar com a base, ou seja, especialmente com as crianças para que elas já cresçam conhecendo a nossa cultura tanto Amapá como a Guiana Francesa, eu acho que o povo amapaense não conhece a história do guianense e muito menos o povo da Guiana sabe da história dos amapaenses. E quando na verdade, as trajetórias de lutas e conquistas se parecem.

Os afrodescendentes da França também vieram morar no Brasil no passado”, contou.
O que poucas pessoas sabem, é que os franceses já têm o próprio passaporte a partir do nascimento, eles procuram tirar o documento ainda criança. Diferentemente da maioria dos brasileiros que se preocupam em retirar o passaporte quando é preciso fazer uma viagem internacional. Portanto, quem quiser viajar corretamente para o outro lado, do Rio Oiapoque já pode preparar o passaporte e apresentar projetos concretos, visando sempre à expansão do saber.

Djokan no Amapá
Durante as programações realizadas na Semana da Consciência Negra, Macapá recebeu a visita do fundador do Djokan, que é uma arte marcial africana da Amazônia, o mestre Dôkô Sawani Makan.  Na Guiana, o mestre trabalha com crianças, jovens, idosos e deficientes físicos. Ele veio apresentar o seu trabalho social na capital. O Djokan originou práticas bélicas, esportes, danças tradicionais, costumes e tradições dos nativos americanos, o Bushinenge e crioulo. O esporte valoriza o que há de bom na Amazônia.

Segundo Dôkô Sawani, foram mais de 15 anos de pesquisas e estudos para a projeção desse esporte Djokan, em 2010. Ele disse que teve a oportunidade de praticar com os maiores mestres, por isso teve a honra de ser o guardião dessa tradição, na América do Sul. “O Djokan incentiva o metabolismo do ser humano, elege a disciplina, a paciência, o equilíbrio e busca da perfeição, tem diversos benefícios à saúde que são considerados nos requisitos básicos da arte marcial africana, Djokan.”, ressaltou Gran Dôkô.

Já o radialista francês Claude Joseph, fez toda a cobertura ao vivo da programação cultural amapaense, diretamente Macapá à rádio da Guiana Francesa.

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